Dia 27.

D i a  2 7.
Perdoar não é um passo imediato, nem um ato que se force. Antes de chegar ao perdão, há uma travessia inevitável: sentir a raiva, reconhecer a mágoa, dar-lhes espaço para existirem. Porque enquanto as reprimimos, elas crescem dentro de nós, enredam-se nos nossos pensamentos, pesam nos nossos gestos. Posso garantir-vos. ✨

Mas, um dia, escolhemos libertá-las. Não para justificar, não para apagar o que foi, mas para nos libertarmos do que ficou. Deixar ir não é um favor ao outro – é um presente que damos a nós próprios. O perdão não chega antes da libertação, mas nasce dela. Como um espaço que se abre, arejado e leve, depois de uma tempestade. Como a luz que entra depois de abrirmos uma janela que esteve fechada por demasiado tempo. Liberta-nos do aperto no peito, do nó na garganta, das sombras que se agarram ao que já devia ter ido.

Perdoar não é conceder nada a quem nos feriu. É abrir espaço dentro de nós para respirarmos de novo. O perdão não é para o outro, é para nós. Não significa esquecer, nem justificar. Não apaga a dor, nem torna leve o que pesou. Mas liberta. Libertou-me. 🩷

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Dia 29.

Dia 28.