Dia 21.


D i a  2 1.
Passei anos a medir os meus passos pelo olhar dos outros. Cada escolha, cada palavra, cada silêncio, tudo pesava como se o mundo estivesse a tomar notas, à espera da próxima jogada. Era um reflexo automático, quase impercetível, mas constante: será que vou desiludir alguém? Será que é isto que esperam de mim?

Aos poucos, percebi que vivia mais para cumprir expectativas do que para descobrir o que realmente fazia sentido para mim. E quando me dei conta disso, senti um vazio. Como se, no meio de agradar, ajustar, caber em moldes, me tivesse perdido de mim mesma.

Aprender a viver por mim e para mim não foi um estalo repentino. Foi um processo, um desenrolar lento de pequenas revoluções internas. Foi dizer “não” quando queria dizer “não” e não justificar. Foi escolher o que me faz bem, mesmo que os outros não compreendam. Foi deixar de procurar aprovação onde ela nunca viria e, mais do que isso, perceber que não precisava dela.

O mundo continua a girar, as pessoas continuam a pensar o que querem, e eu continuo aqui, a fazer o meu caminho – agora, sem medo de me perder de mim outra vez. 🩷

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